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Lula quer China, Indonésia e Índia em negociações entre Rússia e Ucrânia

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A guerra da Rússia contra a Ucrânia já dura cerca de um ano e meio, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem defendido reiteradamente a criação de um grupo de países para mediar o fim do confronto.

Em fóruns internacionais, Lula tem defendido, por exemplo, que China, Indonésia e Índia integrem com o Brasil esse grupo de países.

Em Bruxelas (Bélgica), após participar da cúpula entre a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União Europeia, Lula voltou a defender a criação do grupo.

“O Brasil tem feito isso desde o começo, nós temos conversado com a China, com a Indonésia, com parceiros na América Latina. É preciso que a gente construa um grupo de países capaz de, no momento certo, convencer Rússia e Ucrânia de que a paz é o melhor caminho”, declarou.

“Por enquanto, nem o Zelensky, nem o Putin querem falar em paz. Cada um pensa que vai ganhar. Mas está havendo um cansaço. O mundo começa a cansar. Os países começam a cansar. Então, vai chegar o momento em que vai ter paz. E vai ter que ter um grupo de países capaz de conversar com a Rússia e com a Ucrânia”, acrescentou Lula na ocasião.

Em paralelo aos discursos, o petista tem se reunido com diversos líderes internacionais e discutido o tema. Por exemplo, o presidente:

se reuniu com representantes da Finlândia (que faz fronteira com a Rússia) e da Romênia (que faz fronteira com a Ucrânia);
falou por vídeoeconferência com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin;
e enviou o assessor especial da Presidência Celso Amorim a Moscou (capital russa) e a Kiev (capital ucraniana).
Para ele, no entanto, a eventual criação do grupo de países só acontecerá quando a Rússia e a Ucrânia estiverem dispostas a negociar um acordo de paz.

O que dizem os países
Em linhas gerais, os países geralmente mencionados por Lula têm afirmado que:

China: se coloca como eventual mediadora e entende que é possível a participação de mais países
Indonésia: defende que a ONU deve monitorar a situação, e que o país está disposto a contribuir de forma militar com a ONU
Índia: está disposta a dar “suporte” para que diplomaticamente os países encontrem uma solução

Entenda abaixo, em detalhes, o que dizem os países citados e o papel do Conselho de Segurança da ONU na proposta de Lula:

China
Indonésia
Índia
Conselho de Segurança da ONU

Em abril deste ano, o presidente da China, Xi Jinping, conversou por telefone com Zelensky.

Na ligação, o líder chinês disse que enviaria representantes a Kiev para tentar iniciar negociações para a paz. Além disso, em março, Xi Jinping se reuniu com o presidente russo Vladimir Putin.

A China chegou a apresentar uma proposta para um eventual acordo de paz. Os termos, contudo, foram rejeitados pela Ucrânia e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da qual a Ucrânia deseja fazer parte e que conta, por exemplo, com os Estados Unidos.

Em abril, Lula se reuniu com Xi Jinping na China. Em nota após o encontro, o Ministério das Relações Exteriores chinês informou que concorda com a ideia de que mais países atuem nas negociações.

“Os dois presidentes também trocaram visões sobre a crise na Ucrânia. Os dois lados concordaram que o diálogo e a negociação são o único caminho viável para resolver isso e que todos os esforços propícios a uma resolução pacífica devem ser encorajados e apoiados. Eles fizeram um apelo para que mais países tenham um papel construtivo para um acordo político para a crise na Ucrânia. Os dois presidentes concordaram em permanecer se comunicando sobre este assunto”, afirmou o ministério chinês.

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No mês passado, durante o encontro de países asiáticos sobre segurança e defesa, o ministro da Defesa da Indonésia, general Prabowo Subianto, defendeu que os países da região passassem a discutir a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Em seu discurso, Subianto afirmou que, embora a guerra não envolvesse um dos países do grupo, na prática, o conflito afeta toda a região. Na ocasião, ele citou, por exemplo, o aumento dos preços de energia e alimentos.

“Eu gostaria de apresentar uma proposta que não está fora do contexto para nós a fim de tentar contribuir para a resolução do conflito Ucrânia-Rússia. Portanto, eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para recomendar com máxima urgência aos nossos irmãos na Ucrânia e na Rússia que cheguem o mais rápido possível a cessar as hostilidades”, afirmou.

Diante disso, a Indonésia apresentou uma série de propostas que deveriam ser apresentadas à Rússia e à Ucrânia, entre as quais:

cessar-fogo;
cessão das hostilidades;
zona desmilitarizada de 15 quilômetros a partir da fronteira;
monitoramento da situação pela ONU;
referendo nas regiões disputadas, organizado pela ONU.
“E eu gostaria de declarar, neste presente momento, que a Indonésia está preparada para contribuir com observadores militares e unidades militares sob as aspirações de manutenção da paz das Nações Unidas”, afirmou o ministro da Indonésia.

AEmbaixada da Indonésia em Brasília informou ter consultado o Ministério das Relações Exteriores local sobre a proposta de Lula, mas que não havia recebido resposta até a publicação deste texto.

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Em maio deste ano, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, se reuniu em Hiroshima (Japão) com Zelensky.

O encontro aconteceu paralelamente às reuniões do G7 e, segundo o site oficial do governo indiano, Modi afirmou que a Índia fornecerá assistência humanitária ao povo da Ucrânia.

“O primeiro-ministro transmitiu o claro suporte da Índia para o diálogo e a diplomacia a fim de achar um caminho a seguir. Ele disse que, para a resolução da situação, a Índia e o próprio primeiro-ministro pessoalmente fará tudo dentro de seus meios”, informou o governo indiano.

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Conselho de Segurança da ONU
A defesa de Lula à criação do grupo de países acontece paralelamente às críticas do presidente brasileiro ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O petista tem afirmado que o conselho precisa ter mais representatividade porque, “se funcionasse como deveria funcionar, possivelmente não teria acontecido a guerra entre Ucrânia e Russa”.

“Possivelmente [não aconteceria a guerra], se o Conselho de Segurança tivesse força para negociar. O dado concreto é que não tem”, afirmou Lula em maio deste ano.
Integrantes do governo brasileiro ouvidos pelo g1 afirmam que a “janela de oportunidade” é o mês de outubro — justamente quando o Brasil presidirá o Conselho de Segurança e poderá pautar a discussão.

Lula tem dito que o conselho é o fórum adequado para que os países discutam uma solução. Declarações de Lula sobre a guerra, no entanto, têm gerado críticas em parte da comunidade internacional.

Embora sempre diga condenar a guerra, Lula gerou polêmica ao dizer, por exemplo, que a Ucrânia também tem responsabilidade pelo conflito.

Além disso, Lula foi criticado pelo governo americano ao dizer que Estados Unidos e União Europeia contribuem para que a guerra prossiga.

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